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E Quando o outro não quer mudar?

Por: João Wagner Ferreira

          “Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar.” Ap 2:5

          Uma coisa que todos nós devemos aprender urgentemente para que não envenenemos nossas relações é a capacidade de separar nossos problemas. Dificuldades do trabalho devem ficar no trabalho e aborrecimentos familiares devem ficar em casa. Quando levamos contrariedades de casa para o trabalho ou trazemos complicações do trabalho para casa, com certeza haverá um “choque” muito grande que aumentará o tamanho das questões e talvez irá causar uma multiplicação dos aborrecimentos. Ninguém em sã consciência quer que isso aconteça, mas acaba deixando acontecer.

          Os desentendimentos já começam no campo pessoal. Quando eu desentendo com alguém, eu já começo a tratar o problema que divergimos como se fosse a pessoa do outro e ainda, como se o outro fosse meu inimigo. Diferenças são coisas naturais, divergir faz parte da natureza humana, porém, a briga que é o negativo. O conflito deve ser o primeiro sinal de alerta de que o relacionamento não vai bem. O correto é que os cônjuges se unam para lutarem contra o problema e não um contra o outro. Lembre-se do que disse o sábio Rei Salomão a esse respeito:

          “E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.” Eclesiastes 4:12

          Quando aparece a discórdia eu já começo a sair do campo do “objeto” (problema) para a pessoa. Geralmente nesses momentos de crise acontece isso: Se eu não resolvo a questão, com certeza a partir daí eu partirei para o conflito. No conflito não me interessa mais o objeto. Nesse ponto eu quero provar que o outro é que está errado e eu certo.

         Não há como negar que no casamento é normal que um importune o outro, duas pessoas diferentes incomodam, essa é uma realidade nua e crua. Se não incomodasse seria anormal, não tem como; mas são exatamente os diferentes que nos completam e que nos dão alegria. Tudo depende de como lidamos com isso. Todos temos diferenças e divergências. Os desentendimentos é que ultrapassam essa barreira da normalidade. Precisamos aprender a aceitar o outro com suas diferenças e defeitos. Muitas vezes queremos e até exigimos a perfeição do outro, sendo que também não somos perfeitos.

          No momento da crise de agressões verbais pelo cônjuge o ideal é que o outro não faça acusações, porém faça perguntas para fazê-lo pensar, como por exemplo: meu querido (a); qual é o motivo de todo esse nervosismo? Porque você está agindo dessa forma? Nesse caso o cônjuge não pode brigar com o outro, porém, necessita fazer suas colocações no momento certo para que ele (a) possa ter uma reflexão. O silêncio não é o ideal. Se ele (a) pergunta “O que está acontecendo com você?” Está devolvendo o problema para ele (a) sem acusá-lo.

          Nós devemos ser uma benção para o cônjuge e não nos colocarmos nas mãos dele (a) e permitir que ele (a) determine nossas ações e até nossa felicidade. Se eu estou feliz comigo mesmo, automaticamente eu proporcionarei felicidade para o outro. Isso é preocupante, a maioria das pessoas depende da outra pessoa para ser feliz ou depende do outro para estar bem e para viver. Dessa forma a pessoa se torna uma espécie de refém. É impressionante a pessoa achar que somente é possível ser feliz se o outro a fizer feliz. Devemos ser felizes independente do que o outro faça, fale ou haja.

         Uma das principais falhas cometidas pelos casais é a falta de diálogo. Muitos esfriam a relação pela incapacidade de um ou de ambos em expressarem seus sentimentos livremente através do diálogo. Devemos entender que o diálogo é uma via de mão dupla. Como poderemos reverter essa situação?

         Vejamos uma cena bastante comum em nossos dias, que acontece em quase todos os lares.  A esposa que as vezes passou o dia bem, alegre e feliz com saudades do marido, o espera ansiosa para um diálogo amigável de um casal que se ama. O marido chega em casa, após o trabalho, estressado com seus problemas e por detalhes irrisórios perde a paciência e começa a agredir a esposa com palavras. O mal humor do marido contamina a esposa e começam as brigas e os conflitos.

          O maior problema de todo casal é a falta de sabedoria para o diálogo. O principal motivo é a incapacidade para domínio da língua. Vejamos o ensinamento de Tiago que diz que “a língua é inflamada pelo inferno”:

          “A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.” Tiago 3:6

         Partes das doenças e enfermidades de uma esposa são provocadas por falta de diálogo entre o casal. Os problemas mal resolvidos em casa são causadores de doenças. Hoje os cientistas dizem que 90% das enfermidades se originam na mente humana. Isso nos traz uma importante reflexão para fazermos: como nos colocamos nas mãos do nosso cônjuge?

          O comportamento do outro não pode definir nossa felicidade, isso é extremamente errado. Devemos pensar que “eu” sou o único bem que possuo. A única pessoa que está ao meu lado, do nascimento a morte sou eu mesma. (Somente Deus e eu). É errado, nos colocarmos inteiramente na mão do outro. É comum ouvirmos a pessoa dizer que está triste e acabada por causa do esposo, do filho, da mãe etc.

          Todos nós queremos ver alguma mudança em nosso cônjuge, porém, precisamos entender que ninguém possui o poder de mudar a ninguém; temos poder apenas sobre nós. O poder que está sobre nós é para mudança em nós e nunca no outro. E se conseguirmos mudanças em nós será um grande avanço. O ser humano possui em seu DNA um “gene” de transferência de culpa. Adão tentou transferir sua responsabilidade pelo pecado para Eva:

          Disse o homem: “Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. Gn 3:12

          O Egoísmo é natural do ser humano enquanto criança. Após essa fase passa a ser uma deficiência de caráter. Por que nós insistimos tanto em mudar o outro? É porque não conseguimos as nossas próprias mudanças. Vemos a imagem do nosso cônjuge a todo tempo diante de nós e a nossa própria imagem de vez em quando e somente quando olhamos no espelho. Isso também acontece com respeito a nossa personalidade; vemos a personalidade do outro, os defeitos do outro e não enxergamos os nossos. Existem aspectos em nós que podemos mudar; outros podemos melhorar e há outros que temos que conviver. Se não posso mudar o outro, o que posso mudar em mim para aceitar melhor o outro?

          Todos nós somos responsáveis por aquilo que somos hoje como adultos. Parte de nossas atitudes fazem parte de nosso temperamento e parte são nossos comportamentos. As vezes não conseguimos mudar nosso temperamento, mas somos capazes e responsáveis em mudar nossas atitudes como adultos. Como posso impor essa mudança no outro? As vezes há necessidade da ajuda de terceiros. A ajuda de um terapeuta ou conselheiro familiar pode proporcionar duas coisas importantes:

Primeiro: descobrir o que está por trás da reação da pessoa. Muitas vezes a atitude da pessoa não é o problema e sim que essa atitude é apenas uma reação do verdadeiro problema. Marido e esposa não conseguem descobrir sintomas, muitas vezes alguém de fora precisa ajudar esse casal e de preferência que esse alguém seja um profissional e que professe a mesma fé que nós.

Segundo: preciso assumir responsabilidades, pois é a partir de mim que as coisas começam a mudar. Temos sonhos e ideais na vida e nós idealizamos as pessoas. Quando idealizamos o outro e percebemos que o outro é diferente daquilo que idealizamos para nós, a nossa tendência é querer mudá-lo, fazer com que o outro seja uma cópia nossa, do nosso ideal.

          Muitas vezes sentimos prazer nas coisas mais difíceis de serem conquistadas. Quando a outra pessoa é passiva e se permite mudar, não tem graça. Perco o interesse por ela. Muitas vezes, temos a tendência de culpar o outro; o outro é responsável por nossas atitudes, mas na verdade nós somos os únicos responsáveis pelas nossas atitudes. Quando nós assumimos o controle da nossa vida, quando nós assumimos o controle de nossas atividades e dos nossos pontos positivos e negativos ocorre a mudança primeiramente em nós para após contagiar nosso cônjuge para que ele também sinta necessidade de mudança.

         Não é fácil aceitar, pois, gostaríamos de ter somente pontos positivos, mas não temos, ninguém é totalmente bom e ninguém é totalmente mal. Quando entendemos e assumimos isso, nós tomamos conta de nossa vida. Ninguém resiste uma palavra de afeto ou um ato de bondade. A mudança no casamento começa por aí: “palavras de afeto e atos de bondade. ” Nossa tendência é culpar o outro por nossas atitudes.

          Você quer mudança em seu casamento? Mude a você primeiro e automaticamente haverá mudanças no outro. Vamos observar o jogo de dominó. Com uma pedra, você abre o jogo, com uma pedra você perde ou ganha o jogo. Imagina que você é essa pedra, se preocupe apenas em mudar a você mesmo. Uma pequena atitude fará grande diferença em seu casamento. Mude sua forma de resolver o problema e provavelmente você terá sucesso.

       Se eu quero mudar o outro é importante me perguntar o que eu posso cooperar para essa mudança? Se eu admitir que estou errado (a), estou cooperando para uma mudança iniciada em mim que também poderá ser estendida ao outro. Há uma ordem natural para mudança e não pode haver inversões.

          A mudança deve obrigatoriamente começar por “mim” e não pelo “cônjuge”, uma vez que tenho poderes sobre mim e não sobre ele (a). A compreensão desse detalhe é essencial para o sucesso da mudança e a solução dos conflitos. O que eu posso fazer para lidar com o outro como ele é? Eu não vou poder mudá-lo. Preciso primeiramente mudar a mim, para que o outro sinta desejo de mudança também; esse desejo precisa partir dele e não de mim, pois, só ele é capaz de mudar. Vejamos os conselhos sábios de Jesus a esse respeito, no livro de Mateus:

         “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?” Mt 7:3

         Tudo pode ser mudado, tudo pode ser resolvido. Para tudo há uma forma de resolver. Lute pela felicidade e alegria, lute para que você seja um canal de bênçãos para o outro. Da mesma forma, Jesus também ensina no livro de João:

         “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo.” João 14:27.

          Para o homem é mais difícil pedir ajuda a terceiros. Por ser o líder, na sua estrutura mental, ele se sente o líder capaz e inteligente. Ele acredita que se ele não consegue resolver seu problema ninguém mais consegue. De um modo geral ele não desiste, mas também de um modo geral ele não consegue resolver o problema. A medida que isso se repete há duas medidas mais comuns que o indivíduo adota:

          Em Primeiro lugar: sente que o problema não tem solução, então ele tenta se acostumar com a realidade. Em segundo lugar: acostuma com o pecado e sente que não há necessidade de assumir o erro; tenta se convencer que não está fazendo nada errado. Ele começa a trabalhar a negação do erro. Mas, a partir daí ocorre o sentimento de culpa, após a repetição constante do vício, ele sente a realidade de seu erro (sabe que é errado).

        Portanto, concluímos com uma pergunta: você deseja ver mudança em seu casamento? A resposta é simples: Mude a você primeiro e automaticamente você verá a mudanças no outro. Simples assim. Convido-lhe a meditar nas palavras de Jesus, descritas no livro de João:

         “Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa. ” João 15:11

 

 Ev. João Wagner Ferreira

Escritor e Palestrante

Autor do Livro: “Socorro! Minha família está em perigo”.

Blog: www.blogdafamilia.com

Site: www.diskbiblias.com.br

E-mail: chavedosaber63@gmail.com

(34) 8885-0868 – WhatsApp

 

About João Wagner

João Wagner Ferreira é Ministro do Evangelho; Co-Pastor Evangelista na Congregação Betel da Assembleia de Deus em Uberlândia/MG (Ministério Missão aos Povos). Curso Superior em Tecnologia de Segurança Pública pela Academia de Polícia de Minas Gerais (APM/MG) é 1º Ten PM (QOR). Graduado em Teologia pelo Instituto Missão aos Povos, filiado à Faculdade Evangélica de Ciência, Tecnologia e Biotecnologia (IMP/FAECAD). É professor na Escola Dominical na Assembleia de Deus há 25 anos; dedicou sua vida a obra de Deus e a família.

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